Get your motor running
Head out on the highway
Looking for adventure
In whatever comes our way
Que alguns amigos nossos não se ofendam, mas não ter filhos numa hora dessas é uma benção. Ao longo de nossa estada por Natal vimos muitas famílias, algumas carregando as sogras (?!), inclusive. E, claro, os filhos. Desde bebês até pré-adolescentes.
Sem falar no custo. Uma refeição nossa, com bebidas, nunca saia por mais que R$60,00. Agora coloca um triturador de comida como são os adolescentes numa equação dessas. Melhor não. Mas voltemos a falar de liberdade.
Como bons turistas corajosos, sem preguiça, tomamos o rumo do Forte dos Reis Magos, pela Via Costeira. A moça da locadora, como todos em Natal, foi muito solícita em nos explicar os caminhos que queríamos seguir. Achamos fácil. Enquanto andávamos sem pressa pelo forte, com muitos turistas, ouvimos um sujeito gritar várias vezes: “última chamada para a van do Tobinha, vamos lá pessoal!!”. Nos olhamos, Fernanda e eu, e sorrimos cúmplices e satisfeitos com nós mesmos.
Aquilo era exatamente do que estávamos fugindo quando alugamos o carro. Fugir das amarras de uma visita com tempo definido de duração, das amarras de andar em grupo e visitar apenas o que estava no roteiro, sem tempo de, por exemplo, fazer uma hora na praia, no quiosque e ficar a toa por ali. Principalmente, fugir de um sujeito chato nos chamando para a van do Tobinha.
Aquilo me remeteu a uma pequena angústia que sinto quando penso em fazer certas viagens. Por exemplo, adoraria conhecer as pirâmides do Egito. Já me peguei imaginando eu lá, diante daquela maravilha alienígena (ou você acha que foi a Camargo Correa que levantou aquilo?), apenas eu, o deserto e o tempo; a História me contemplando e eu contemplando a História. Mas aí cai a ficha. É claro que aquilo lá deve ser apinhado de turista tirando foto, andando de um lado para outro, cercados por barracas vendendo todo tipo de coisa, de relíquias autênticas fabricadas em Taiwan, a DVDs da Ivete Sangalo. Não dá.
Aí desanimo de gastar os tubos, viajar não sei quantas horas de avião (que é a coisa mais chata do mundo) pra ter um monte de gente atrapalhando meu devaneio histórico.
Desencanei, esperei os argentinos, holandeses e tunisianos irem embora do forte e fiz umas fotos meio loucas, tentando derrubar a ponte e acertar um grupo barulhento de turistas. E o dia ainda estava pela metade. Dali a pouco iríamos para as dunas de Genipabú e eu mostraria para minha Fernanda-Tieta a potência de Rogério-Osnar.
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2 comentários:
Concordo em relação a filhos,só estragaria o passei,estou amando nossa viagem,uhuulll,rsrsrs
Sem querer discutir se esta certo ou errado a idéia do escritor do texto sobre ter filhos ou a escolha do destino de viagem, a sensação perfeita de estar vendo literalmente a imagem do que está sendo descrito é sensacional. Tenho filhos, mas só comecei a viajar com eles depois de adultos e a questão de viajar em excursão está fora de qualquer hipótese, meu marido tem alergia àquele "Bommm Diaaa! Dormiram bem??? " que todo guia de viagem diz quando entra de manhã no ônibus.
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