20 de junho de 2011

Fucking Natal Diary - Prólogo

Surpresa e Ironia


Quem me conhece sabe que não sou entusiasta de sol e praia. Praia, acho monótono e irritante, especialmente quando cheia. Sol, me incomoda em qualquer circunstância.

Sobre praia, o soez Alex tem uma boa definição: são todas iguais. Quem viu uma, viu todas. Segundo ele, é sempre a mesma coisa: prédios, asfalto, areia, água. A variante possível é: trilha cansativa, mato, areia, água. Tenho que concordar. Não sai muito disso.

É por isso que em matéria de turismo gosto das cidades e das gentes. Me interessam muito mais do que ficar plantado num lugar ruim pra ler um livro, ruim pra fugir do sol, ruim para apostar em cavalos e ruim pra acessar a internet.

Sobre o sol, já até arrumei confusão pelo tanto que o desprezo. Muitos me entendem mal, acham que gosto do frio. Não é que goste, mas para mim o frio é muito menos incômodo e desconfortável que o calor. É questão orgânica mesmo, de ter enjoos no verão e desânimo generalizado para fazer as coisas. No inverno me sinto bem, com disposição para tudo.

Não é incomum, em rodas de amigos, alguns revirarem os olhinhos quando falo mal do calor e do verão (e tudo de ruim que o verão trás consigo, como axé music e a ideia ridícula de que se é mais feliz ao sol e que o verão trás alegria, descontração, e tudo é feito de gente feliz e bonita, de corpo malhado, biquíni socado e encéfalo deletado). Sinto, até, que alguns se ofendem um pouco com meu desprezo pelo sol. E mais ainda pelo meu desdém por praias em geral.

Com a notícia de minha ida, amanhã, para Natal, no Rio Grande do Norte, talvez alguns passem a ter certeza de que Deus dá nozes a quem não tem dentes. Afinal, o que um sujeito que detesta sol e praia vai fazer numa cidade conhecida como “terra do sol”, cheia de praias como pontos de turismo?

Bem, a resposta virá no próximo texto. Assim como outros textos virão para compor essa série de narrativas sobre a viagem. Começou ano passado com a série Buenos Fucking Aires (que podem ser (re)lidas no post abaixo). Agora, nesta segunda ida para além-Jardim Brasil, uma nova série de crônicas. O “Fucking Natal Diary” está iniciado.
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