27 de junho de 2011

Fucking Natal Diary – Parte 3

Vãs Preocupações e Periferia


A chuva passou, mas o céu não abriu. Natal se gaba de ter sol 360 dias por ano. Será que calhamos de conhecer justamente os cinco dias sem sol? No café da manhã, o nobre colega continuava falando. Temia demora nos trâmites com o Ministério Público. Não queria perder o voo da tarde e ter que voltar a São Paulo de madrugada. Enquanto comíamos, combinamos estratégias de comunicação caso fosse necessário adiar o voo do nobre colega. Eu ficaria no quarto de plantão e ligaria para São Paulo no caso da coisa engrossar mais do que se esperava lá no MP.

Vãs preocupações. Tudo correu melhor do que se esperava. Ás 13h00 o nobre colega deixava o hotel rumo ao aeroporto, feliz da vida com o sucesso do acordo. Fernanda e eu pudemos finalmente dizer: enfim sós. Natal nos esperava para ser descoberta. Primeiro, o básico: conhecer as redondezas, ir até a praia mais próxima. Estávamos em Ponta Negra, onde fica o morro do careca, que pode ser visto na foto ao lado. Não o careca, mas o morro. É uma das praias com bastante vida noturna, cheia de restaurantes e bares a beira-mar.

Almoçamos num lugar chamado El Chiringuito. Peixe grelhado, arroz, fritas, salada. Muito correto. Ali nos deparamos pela primeira vez com algo comum na cidade. A proprietária do lugar era argentina. Ao longo dos dias percebemos um número significativo de estabelecimentos administrados por estrangeiros que decidiram se estabelecer na cidade e abrirem seus negócios.

Enquanto almoçávamos num deck com vista para a praia, pudemos acompanhar uma bem aplicada massagem. Numa tenda armada na areia, por alguns reais, relaxante massagem. Mas percebemos, Fernanda e eu, que a senhora da tenda não apenas tratava os músculos, mas também a cabeça. Entre os atritos, apertos, giros e fricções, falava algo no ouvido dos clientes. Não sei o que falava, mas certamente massageava a alma além do corpo. Isso sem falar que ela levava a coisa a extremos, como na foto abaixo.

Terminado o almoço, fazer o que fazemos melhor quando viajamos: andar. Não pela praia, mas pelo bairro. Praia pouco me interessa, o que quero ver quando viajo é a urbanidade de cada local. Nos embrenhamos por ruas até sairmos da “zona turística”, por assim dizer. Lugar onde turista não costuma ir, mas que é onde vivem as pessoas de verdade.

A divisão é clara. A partir da última rua de acesso à praia, entrando num bairro comum de periferia, a calçada muda. O que antes era largo e bem acabado se torna estreito e esburacado. A beleza de prédios luxuosos dá lugar a casas humildes. A avenida espaçosa dá lugar a ruas estritas.

Pessoas nos pontos de ônibus olham para nós desconfiadas, perguntando-se o que dois turistas fazem ali, fora da parte “boa” da cidade. Açougues, mercearias de bairro, farmácias, gente voltando do trabalho. Adentramos um pouco mais, depois retornamos para a praia. Já havia conhecido um pouco da cidade de Natal, que não é só feita de praias e paisagens deslumbrantes. Nos próximos dias, teria oportunidade de conhecer outra periferia da cidade.
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