Nos meus estudos de jornalismo, uma crítica recorrente diz respeito às notícias de release, quando o jornalista, ou veículo, se limita a transpor o texto da assessoria de imprensa para o jornal (ou site). Não há preocupação em apurar, certificar, esclarecer, ouvir pessoas, desdobrar. Trabalha-se a favor de quem emitiu o release e pouco serviço presta-se ao leitor. Muitas vezes, não há nem o trabalho de mudar o texto, fazendo um descarado “copiar e colar”.
Esse recurso é um sintoma dos dias em que vivemos. Com as facilidades da internet, a urgência em noticiar (sem refletir), a falta de tempo e pessoal que assola as redações, somadas a uma característica indesejada no ser humano (e em especial no jornalista), a preguiça, está feito o estrago. Tem-se, com isso, um jornalismo de conteúdo banal e raso, que diz nada ou pouco.
Um exemplo claro disso está nos dois links que seguem abaixo. Às 12:18 do dia de hoje, o blog da Companhia das Letras anunciou que passará a publicar a obra de Carlos Drummond de Andrade a partir do ano que vem. O texto dá algumas informações, como o novo projeto gráfico e o lançamento de versões para e-book. Qualquer pessoa que, como eu, siga o blog da editora, soube disso.
Às 13:40 o portal Estadão deu a notícia. A mesma notícia, com as mesmas palavras, com a ordem alterada. De acréscimo, um pequeno histórico do poeta com cara de pesquisa no Wikipedia e só. Nada de novo, nada de contexto, nada de informação a mais. Um típico caso de notícia de release. Compare os textos nos links abaixo.
Blog da Cia. das Letras: http://www.blogdacompanhia.com.br/2011/03/drummond-na-companhia/
Portal Estadão:
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