14 de fevereiro de 2011

8 Anos de Obscenum


São oito anos. Claro que o que mais me pesa agora é o temporário abandono de algo tão íntimo e real em mim. Mas é preciso. Um tempo sim, o fim não. Seguirá ainda por muitos anos. Renovar-se-á em textos, em dialéticas, em estéticas. Por hora descansa. Repousa nos arquivos de bobagens escritas, algumas menos que outras. Paixão incontornável e prova da vontade máxima de escrever.  Ofício que nunca foi meu, mas que sempre fui eu. Escrever. Sem isso, sou nada.

Oito anos atrás surgia isso, Obscenum. Palavra que tentava diferenciar o que ali seria escrito da boçalidade do resto do mundo. Mas aos poucos nos tornamos sempre, em maior ou menor grau, os mesmos boçais que julgávamos não ser. Sem demérito nisso. Ao contrário, evoluir é quebrar os próprios paradigmas. Não significa, porém, render-se, vender-se, desistir. Tampouco mudar de lado, trocar de causa, de fé, de princípio. Apenas seguir, crescer, ampliar os próprios horizontes, admitir equívocos, insistir em outros. Escrever. Viver.

São oito anos hoje. Feliz por mantê-lo por tanto tampo a despeito do descrédito alheio. Feliz por ter escrito mal, errado, torto. Mas ter escrito. Assim seguirá. Trôpego, como quem o alimenta de textos, como quem o criou; imagem e semelhança. Melhor, palavra e semelhança. São versos, prosas, artigos, crônicas, desabafos, declarações, tolices. Escritas.

Sem estardalhaços, celebro e agradeço quem leu. E lerá muito ainda, se fiel permanecer. Não que eu mereça, nem minhas palavras tão esquivas. Mas porque se naquilo que me comprazo está o mínimo de prazer no outro que lê, certamente terei vivido. Não fui sombra ou esboço ou pensamento. Fui homem e palavra, escrita e silêncio. Na dureza de cada, tangível ou não, uma existência de pedra. Plena como a pedra. Dura como a pedra. Áspera como a pedra. Vivente como a pedra. Silente como a pedra. Esquecida como a pedra. Pois sobre a pedra se caminha, com a pedra se constrói. Não ambiciono tanto. Mas seguirei escrevendo. Seguirei Obscenum.

4 comentários:

alex disse...

mais oito.

nos vemos sábado.

Fernanda disse...

Puxa, quanto tempo! Parabéns, amor!

Piu disse...

Parabéns, Roger. Sei o quanto esse blog significa para você. Que venham mais oitenta anos... hehehe

Gisele Baciano disse...

Só sinto falta daqueles devaneios, daquelas conclusões... Parabéns, mesmo que um pouco atrasado.