Na última quarta-feira (19), o repórter fotográfico do jornal Agora, Thiago Vieira, fazia a cobertura das eleições presidenciais do Palmeiras. Numa atitude impensada e até ingênua, escreveu em seu twitter: "Enquanto os porcos não se decidem poderiam mandar mais lanchinhos e refrigerantes pra imprensa q assiste ao jogo do timão na sala de imprensa". Minutos depois, membros da diretoria e seguranças foram até o local onde a imprensa estava e colocaram o repórter para fora agressivamente.
O episódio revela uma sucessão de erros. Alguns de natureza banal e antiprofissional, outros de ordem puramente estúpida e ignorante.
Errou gravemente o jornalista por não considerar a repercussão que seu comentário poderia causar. Em tempos de redes sociais e disseminações virais através dos meios digitais, é inadmissível que um profissional de comunicação não pese a meio-termo os efeitos de algo como uma simples “tuitada”. Foi pouco profissional em sua atitude e muito infeliz em sua frase. Ainda que a tenha justificado como uma paráfrase do clássico “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, acreditou demais na erudição alheia. Para ficar no chavão: perdeu uma boa oportunidade de ficar quieto.
Mais Grave
Erro maior, de gravidade muito mais aguda, cometeram os membros da diretoria e seguranças que agrediram o repórter. As imagens do vídeo abaixo não deixam margem a dúvidas.
A atitude é grotesca e revela não só uma violência burra (perdoe a redundância), como um colossal despreparo para lidar com coisas simples como uma “tuitada” infeliz. Mais do que isso, algumas frases soltas, proferidas pelos membros do clube durante a agressão, revelam que eles mal leram a frase do repórter. E se leram, não foram capazes de contextualizar o sentido. Assim, deveriam voltar ao ensino fundamental ou adquirirem o mais rápido possível as cartilhas “Caminho Suave” e “Texto e Contexto”. Exibiram, com sua atitude, uma assombrosa ignorância física e de intelecto.
As Redes
Talvez já esteja na hora de morrer o tempo da ingenuidade. O cidadão comum, menos ainda o profissional de comunicação, não pode mais ignorar a dimensão do poder das redes sociais. Qualquer frase despretensiosa ou banal pode ser combustível para polêmica e confronto. Seja no âmbito público - caso de autoridades, figuras públicas ou pessoas com espaço na mídia (como jornalistas, por exemplo) -, seja no comum privado, quando um comentário no seu Facebook pode desencadear reações furiosas de parte de sua rede de amigos.
Nos tempos atuais o dito nesses meios deve ser moderado. Não como uma censura ou autocensura, mas com uma atitude de consequência e responsabilidade. A mesma temperança vale para as reações. Por mais furibundo que se possa ficar com algum comentário a reação dever ser sempre em termos racionais e argumentativos. Qualquer coisa diferente disso significa perda total da razão e uma grande demonstração de ignorância.
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