O conhecimento é algo ininterrupto. Tudo que li e aprendi em minha vida é nada comparado ao quanto ainda há para ler e aprender.
Escrever aqui ou nos outros espaços onde escrevo, não serve apenas a uma vaidade auto-congratulatória - que reconheço como força motriz de minha escrita e da mesma forma na escrita de quase todos que o fazem. Mas também em algo que acredito de verdade, que é o compartilhamento de conhecimento.
Todas as pessoas sabem de algo que outros não sabem. Desde o humilde pedreiro que sabe muito mais do que eu sobre como erguer uma casa “onde antes só havia chão”, até, naturalmente, o PhD em física quântica. Eu adoraria ler um blog de pedreiro. Ler sobre fazer a massa, assentar tijolos, rebocar paredes, fazer uma coluna. É um conhecimento que não tenho e como conhecimento seria ótimo adquiri-lo.
Assim, acredito realmente que ao publicar nos meus blogs um pouco do pouco que aprendi estou exercendo uma utilidade, compartilhando conhecimento. E não é uma visão redundante minha. Em um curso de pós-graduação, alguns professores incentivam insistentemente seus alunos a criarem blogs e dividirem o conhecimento que estão adquirindo no curso. Este conhecimento não deve mais ficar restrito a uma elite acadêmica, quase toda ela presa a um academicismo hermético e pedante. Morrer com esse conhecimento não serve de nada.
Eu mesmo, quando coloquei no ar meu primeiro blog, o Base233, o fiz movido pela vontade não apenas de compartilhar conhecimento, mas de adquirir perspectiva através do debate e troca da idéias. Tinha na época uma pura ingenuidade, pois achava que a cada postagem, a caixa de comentários se tornaria um micro-fórum de troca de idéias, onde os leitores do meu blog e eu conversaríamos, discordaríamos e debateríamos. Só esqueci de combinar com o resto do mundo para que me lessem, e quando lessem, comentassem.
Hoje, 9 anos após meu primeiro blog, já não sou tão ingênuo. Sei que poucos me lêem e desses ninguém se anima a conversar. Mas mesmo assim, insisto. Não pela ilusão inicial de um debate e troca de idéias, mas pela esperança, talvez não menos ingênua, de que o pouco que aprendi nos livros e na vida possa servir para outros, se não de forma prática, ao menos para acrescentar algo ao conhecimento de alguém.
Não sou nenhum senhor do conhecimento e da sabedoria. Não sou professor e sempre fugi, nem sempre com sucesso, de um tom professoral em meus textos. Mas não posso me esconder do que sou e do que me melhor me define que é o tesão de aprender.
Se há em tudo que escrevo minha dose humana de vaidade, não deixa de ter também minha dose, não menos humana, de desapego e desejo de dividir o pouco que aprendi. Seria ótimo se mais gente o fizesse.
1 comentários:
eu ja propus varias vezes q fizessemos um sao paulo connection, com nossos amigos em comum tao dotados de paixao pelo saber como nós!
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