6 de setembro de 2010

Buenos Fucking Aires em Capítulos – Parte 5

em anúncios luminosos lâminas de barbear

A gente se acostuma fácil e esquece fácil das coisas. Digo isso porque em Buenos Aires notei algo que aqui em São Paulo já esquecemos: a propaganda de rua. É quase um choque aqueles painéis tomando toda fachada de um prédio, os telões mostrando imagens, os comércios com letreiros grandes. Aqui a lei cidade limpa já pegou e mudou a cara da cidade. Só não sei ainda até que ponto para melhor. Mas certamente não foi para pior.

Confesso que encarei a lei cidade limpa, na época de seu surgimento, com certa ressalva. Não sou autoridade urbanística, mas conheço e adoro minha cidade. Acho que para uma metrópole como São Paulo certas coisas devem fazer parte de sua constituição. As luzes que brilham a noite são, certamente, um charme para a cidade. Mas tudo isso é discutível. No caso da lei, talvez tenha-se exagerado, sendo que bastaria uma melhor regulamentação e uma melhor fiscalização e não uma radicalização. Mas também, como está agora não está ruim não. Só acho que as coisas poderiam ser melhor ajeitadas.

Mas em Buenos Aires todas aquelas luzes à noite encantam os turistas e impactam para quem, aqui em São Paulo, já se desacostumou a elas. Mesmo de dia a diferença é brutal. A pergunta que me fiz foi se para aquela cidade uma lei como a nossa não faria bem.

Bastam poucos minutos na cidade para perceber que ali há uma riquíssima herança arquitetônica, muito bem conservada na maioria dos casos. É certo que muitos prédios exibem essa beleza livres de qualquer painel gigante. Contudo, o que estarão escondendo todos aqueles painéis na frente de outros prédios? Quanto se está perdendo dessa mesma arquitetura com um volume tão grande de anúncios?

Talvez – e mais do que aqui em São Paulo – se ganhasse muito com uma limpeza desses anúncios. Perderia-se uma parte do “glamour moderno” – que a bem da verdade é sempre falso, quando baseado em anúncios poluentes da paisagem urbana -, mas talvez os ganhos compensassem as perdas, plástica e, quiçá, economicamente .

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