Buenos Fucking Aires – Parte 12
chile x defensa
No bairro de San Telmo há uma esquina. Chile com Defensa. Um cruzamento amplo, ruas de paralelepípedo, bairro tranqüilo. Em uma das esquinas do cruzamento há um banco e nele uma menina de cabelos negros volumosos presos por um laço verde. Ela tem os olhos ternos e um sorriso contido. Guarda na expressão a leve ansiedade de quem espera e não tem pressa. Passa ali seus dias e também suas noites. Solitária em seu banco, reserva para si uma tristeza disfarçada pelo sorriso de menina. Às vezes vem alguém de fora do bairro e senta a seu lado. Abraça, faz carinho, até tira foto. Mas parte logo, deixando-a só novamente. Os do bairro já quase não reparam nela e passam pelo banco sem a notar, o que só aumenta sua solidão. Mas ela, muito quieta, mantém-se comportada, os joelhos juntos, as mãos sobre o vestidinho. Tem no rosto, acima de tudo, a esperança de que ele se lembre dela e venha se sentar a seu lado. E então falarão de todos os anos em que existiram, ele e ela, para além do bairro de San Telmo, para além de Buenos Aires, para além de qualquer fronteira. Enquanto ele não vem, ela espera. Quietinha em seu banco, na solidão da esquina da rua da casa onde viveu.
Naquele dia cruzamos a cidade só para vê-la. Reconheço que novamente afundado na minha imensa ignorância não me animava ir tão longe apenas para aquilo, mas Fernanda fincou pé. No fim, terminou por ser um dos melhores momentos nosso em Buenos Aires. A começar pela experiência de tomar o subte (como eles chamam o metrô lá) na hora de pico. Tranqüilo se comparado a São Paulo. Dava até para sentar. Depois, por caminhar pelas ruas de San Telmo no entardecer de um dia nublado. Aquele cinza melancólico, o vento frio de uma Buenos Aires a escurecer. E tudo era por ela e eu não sabia o quanto aquilo me faria feliz.
Não há dimensão - e me repito na expressão. Mas dessa vez é pelo inverso do que foi a visita à livraria El Ateneo. Não havia nada de espetacular, de monumental na figura sentada no banco. Sem grandes teatros, colunas, cúpulas e balcões adornados. E por isso mesmo muito superior a tudo isso. A simplicidade poética da figura de Mafalda sentada no banco, solitária na esquina da rua onde viveu seu criador Joaquim Salvador Lavado, o Quino, suplanta qualquer monumento. Em nada poderia haver mais poesia.
chile x defensa
No bairro de San Telmo há uma esquina. Chile com Defensa. Um cruzamento amplo, ruas de paralelepípedo, bairro tranqüilo. Em uma das esquinas do cruzamento há um banco e nele uma menina de cabelos negros volumosos presos por um laço verde. Ela tem os olhos ternos e um sorriso contido. Guarda na expressão a leve ansiedade de quem espera e não tem pressa. Passa ali seus dias e também suas noites. Solitária em seu banco, reserva para si uma tristeza disfarçada pelo sorriso de menina. Às vezes vem alguém de fora do bairro e senta a seu lado. Abraça, faz carinho, até tira foto. Mas parte logo, deixando-a só novamente. Os do bairro já quase não reparam nela e passam pelo banco sem a notar, o que só aumenta sua solidão. Mas ela, muito quieta, mantém-se comportada, os joelhos juntos, as mãos sobre o vestidinho. Tem no rosto, acima de tudo, a esperança de que ele se lembre dela e venha se sentar a seu lado. E então falarão de todos os anos em que existiram, ele e ela, para além do bairro de San Telmo, para além de Buenos Aires, para além de qualquer fronteira. Enquanto ele não vem, ela espera. Quietinha em seu banco, na solidão da esquina da rua da casa onde viveu.
Naquele dia cruzamos a cidade só para vê-la. Reconheço que novamente afundado na minha imensa ignorância não me animava ir tão longe apenas para aquilo, mas Fernanda fincou pé. No fim, terminou por ser um dos melhores momentos nosso em Buenos Aires. A começar pela experiência de tomar o subte (como eles chamam o metrô lá) na hora de pico. Tranqüilo se comparado a São Paulo. Dava até para sentar. Depois, por caminhar pelas ruas de San Telmo no entardecer de um dia nublado. Aquele cinza melancólico, o vento frio de uma Buenos Aires a escurecer. E tudo era por ela e eu não sabia o quanto aquilo me faria feliz.
Não há dimensão - e me repito na expressão. Mas dessa vez é pelo inverso do que foi a visita à livraria El Ateneo. Não havia nada de espetacular, de monumental na figura sentada no banco. Sem grandes teatros, colunas, cúpulas e balcões adornados. E por isso mesmo muito superior a tudo isso. A simplicidade poética da figura de Mafalda sentada no banco, solitária na esquina da rua onde viveu seu criador Joaquim Salvador Lavado, o Quino, suplanta qualquer monumento. Em nada poderia haver mais poesia.
Depois nos despedimos e a deixamos só novamente. Agradeci imensamente à Fernanda por ter insistido em ir lá. Por ter me feito ver a poesia de um gesto simples, de uma homenagem que guarda no mínimo o valor do inestimável. Entre todas as coisas que trarei sempre em mim desta viagem, certamente estará entre as mais bonitas a recordação de Mafalda sentada em seu banco numa esquina de San Telmo.
Mafalda e eu
1 comentários:
a sua cara de simpatico ao lado da mafalda é impagavel. eu to adorando o seu pequeno diario de bordo. me acabo de rir com ele. ahh, concordo plenamente com o teletransporte, q bando de cientistas mais mequetrefes q temos ne, q ainda nao conseguiram produzir isso.
kisses
Cacau
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