9 de setembro de 2010

Buenos Fucking Aires – Parte 11

cortázar e o atendente

Há algum tempo que vinha procurando em sebos e livrarias aqui no Brasil o que é considerado a obra-prima do escritor argentino Julio Cortázar, o livro intitulado O Jogo da Amarelinha. Sem sucesso.

Estando na terra do autor, supus que finalmente encontraria o livro, até com alguma facilidade. Engano. Nem mesmo na monumental El Ateneo tive sucesso. Na verdade, ali a quantidade e variedade das obras de Cortazar e Borges deixam muito a desejar.

Andava pela Avenida Corrientes, que como já disse é um centro cultural de Buenos Aires. Inclusive me espantou que nesta avenida, em plena quinta-feira, mais de 23:00, quase todas a livrarias estavam abertas, em pleno funcionamento. Voltávamos para o hotel depois de jantar e parávamos em uma ou outra livraria em busca de alguma boa promoção.

Em uma delas perguntamos sobre o livro de Cortázar e só então me dei conta de que o título original do livro era muito diferente do título em português. E, pior, não me lembrava qual era, pois era uma palavra que eu não conhecia. Impasse diante do atendente solícito. Explicamos que em português o título soava como algo perto de El Juego de Amarilla, mas no original o título era formado por uma palavra só.

Bestiário, ele perguntou. Eu disse que não, pois esse já tenho. Ele pensou mais um pouco e disse: Rayula? Nos olhamos, Fernanda e eu, pois não conhecíamos essa palavra. Perguntamos o que ela significava e o atendente, disposto realmente a ajudar dois brasileiros sem noção, passou a saltitar na nossa frente como quem está pulando amarelinha. Foi uma cena hilária, mas demonstrou o interesse sincero dele em nos ajudar.

O que aqui no Brasil chamamos de Jogo da Amarelinha lá chama-se Rayula, portanto o título em português do livro maior de Cortázar, ao contrário do que eu - na minha máxima ignorância - pensava, é fiel ao original.

O fato é que passado o cômico da situação afirmei ao atendente que sem dúvida era aquele livro que procurávamos. Com grande alegria consegui finalmente meu exemplar de O Jogo da Amarelinha e o que é melhor, no original, e por um preço muito bom já que a conversão de Peso para é Real é sempre vantajosa para nós. Nesta vida já andei muito para encontrar um livro que queria, mas nunca imaginei ter de ir à Argentina para comprar este. E fica minha gratidão ao atendente da loja, que disposto a ajudar, não se furtou a pagar um mico diante de dois brasileiros.

1 comentários:

Fernanda disse...

Mi vida! De onde você tirou este bendito Rayenda???? É Rayuela!!!!! Besos, corazón!!!!