5 de setembro de 2010

Buenos Fucking Aires em Capítulos – Parte 3

micos e avenidas largas

Viajar é pagar micos. No hotel é certo que fomos assunto entre os funcionários. Os brasileiros perdidos. Não encontrávamos no quarto do hotel o cofre para guardar documentos originais e o pouco dinheiro que leváramos. Vasculhamos e nada. Ficaria o cofre fora do quarto, como escaninhos? Estranho. Toca descer à recepção com todo dinheiro nos bolsos. Fernanda, que fala, de fato, espanhol, perguntou pelo cofre. O argentino, com enfado e surpresa disse que ficava no quarto. Não encontramos, admitimos. Uma funcionária, intrigada, subiu com a gente. Poderia o quarto 803 não ter cofre? Que escândalo seria!!!

Sem alarma. Ao chegar ao quarto bastou empurrar a porta do armário até o fim, com mais empenho, para surgir o cofre. Vergonha para nós, alívio para ela. Já passamos a nos sentir idiotas.

Fome. Tínhamos muita fome, porque no avião a comida foi comedida. Precisávamos comer e não tínhamos tempo de explorar as redondezas sob risco de desmaiar de fome. Nosso hotel ficava na Diagonal Roque Saenz Peña, que desemboca direto no Obelisco, um dos marcos da cidade que está fincado na sua principal avenida, a 9 de Julho. Do outro lado da 9 de Julho um salvador McDonald’s. Comida conhecida, preço conhecido, sabor conhecido. Não dava para pensar muito. Comer era preciso.

A Avenida 9 de Julho em Buenos Aires é uma das avenidas mais largas do mundo. Em alguns pontos chega a ter 22 faixas. Atravessá-la, seguindo os semáforos, só em dois tempos. Nunca dá de uma vez só. Demora. Fomos nós. Primeiros passos em uma cidade estranha, desconhecida. Sob chuva fina e vento frio.

Atravessamos a salvo. Entramos no Mc Donald’s. Olhamos o cardápio na parede. Pegamos a fila e... dinheiro!! Não tínhamos pesos ainda, apenas dólares e reais. Em bom português: puuuuuuuuuuuuttttttttttzzzzzzzzzz!

De novo 9 de Julho, de novo espera, de novo atravessa uma parte, de novo espera, de novo atravessa outra parte, de novo hotel. De novo o cara do balcão nos olhando com curiosidade, como quem diz: “vocês de novo?”. Onde trocar dinheiro? Ele olha o relógio: 14:57. Os bancos fecham às 15:00 lá. Casa de câmbio. Ele explica o caminho: porta do hotel, vai pela direita, atravessa a 9 de Julho... parei nisso. A Fernanda entendeu o resto. Em menos de 15 minutos, como dois tolos desavisados sem saber onde ir, atravessamos a imensa 9 de Julho 3 vezes. De tanto passar ao lado do Obelisco em tão pouco tempo nem demos mais atenção a ele pelo resto dos dias lá. E, claro, consolidamos nossa fama de “perdidos” entre os funcionários do hotel. Certamente fomos o assunto do dia entre eles.

Av. 9 de Julho em Buenos Aires

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