31 de dezembro de 2009

Listas?

Minha quase-lista de melhores do ano no cinema vai para o ar daqui a pouco na minha coluna de cinema do Guia da Semana. Quase-lista porque tento fugir desse formato manjado de listas de melhores, piores, blá, blá, blá, que todo final de ano estouram por aí.

Mas revendo meu ano de 2009 com o cinema, posso dizer que alguns dos melhores filmes que vi não são desse ano. Nem do ano passado. Nem do ano anterior....

Aí vão alguns deles, sem qualquer ordem, puxando pela memória:

Hiroshima, Meu Amor, de Alain Resnais (1959)
A Marca da Maldade, de Orson Welles (1958)
Os Incompreendidos, de Fraçois Truffaut (1959)
M, O Vampiro de Dusseldorf, de Fritz Lang (1931)
Aurora, de F. W. Murnau (1927)
Metrópolis, de Fritz Lang (1927)
A Noite, de Michelangelo Antonionni (1961)
A Doce Vida, de Federico Fellini (1960)
Morangos Silvestres, de Ingmar Bergman (1957)
8 1/2, de Federico Fellini (1963)
A Estrada da Vida, de Federico Fellini (1954)
Acossado, de Jean-Luc Godard (1960)
Ladrão de Bicicleta, de Vittorio De Sica (1948)
Roma, Cidade Aberta, de Roberto Rossellini (1943)
Jules e Jim, de François Truffaut (1962)
Agatha ou as Leituras Ilimitadas, de Marguerite Duras (1980)
O Gabinete do Dr. Calligari, de Robert Wiene (1920)
A Regra do Jogo, de Jean Renoir (1939)
Estado de Sítio, de Costa-Gravas (1973)
A Batalha de Argel, de Gillo Pontecorvo (1965)
A Infância de Ivã, de Andrei Tarkovski (1961)
Era Uma Vez no Oeste, de Sergio Leone (1968)
Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder (1950)
Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder (1949)
Uma Rua Chamada Pecado, de Elia Kazan (1951)
No Tempo das Diligências, de John Ford (1939)
Rastros do Ódio, de John Ford (1956)
Rashomon, de Akira Kurosawa (1950)

Deve ter mais. Mas só lembro desses agora. Agora quem vai dizer que não foi um ano incrível para este cinéfilo?
Ultimo Post do Ano

Acordei hoje as 6:30 para correr. Minha última corrida do ano, meu último treino.

Escolhi correr na Av. Brás Leme, por ter gostado muito de treinar lá esse ano, embora também tenha ótimas recordações de treinos feitos no Parque do Trote (primeiro treino depois de me recuperar de uma lesão), no Parque da Juventude (onde descobri uma trilha ótima para treinos de tiro), na Avenida Luis Dummont Villares (onde fiz meus primeiros 10km sub-1h), no Clube Escola do Jardim São Paulo (onde fiz meus melhores tiros de velocidade) e, claro, onde tudo começou, na Rua Major Baracca.

Me propus fazer 10km sem preocupação com ritmo, velocidade, tempo. Apenas diversão. Mas quem disse que corredor sossega fácil quando o assunto é melhorar sua própria marca em determinada distância?

Sem entrar em detalhes maçantes, fecho o ano fazendo 10km em 54:10 min., baixando meu melhor tempo, que havia sido de 56 min. (em provas oficiais 57 min.). Uma conquista que nem eu acreditei quando bati no cronômetro. Isso dá um ritmo de 5:25 min./Km, uma meta (sub-5:30 min./Km) que só esperava alcançar com os treinos em janeiro próximo. Sim, do primeiro ao último dia, 2009 foi sensacional!
Ah, 2009... Se Todos Fossem Iguais a Você

Aviso: o que segue abaixo não deve ser interessante a ninguém. Ou seja, leia se quiser, mas sob o risco de desperdiçar seu tempo lendo sobre minha vida pessoal, que é tão chata, maçante e desinteressante quanto a vida de qualquer outra pessoa. O que escrevo e publico abaixo serve como registro pessoal (no melhor estilo meu querido diário...) para que no futuro eu tenha registrado os fatos que não espero esquecer.
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Quando 2004 terminou fiquei triste. Aquele havia sido um ano excepcional, desde a primeira noite do primeiro dia, até o último mês. Achei que não haveria ano como aquele pelo resto de minha vida. Até que veio 2009.

Nunca antes na vida desde brasileiro médio, meio obtuso, pobre, careca, gordo, feio e de óculos houve um ano tão incrível. E mais uma vez desde a primeira noite do primeiro dia.

A passagem de 2008/2009 foi a mais divertida que me lembro. Passar a virada com a mulher da sua vida e com amigos de quem muito gosto foi inédito.

Depois vieram outras coisas incríveis.

. ir ao histórico show do Radiohead na companhia da Cau;

. ver todos os filmes importantes lançados no primeiro semestre;

. ver dezenas de clássicos do cinema, ampliando assim a dimensão da minha percepção do que realmente é cinema;

. nasce Evelyn, minha linda e mal-humorada sobrinha;

. Adrielly, minha fake real daughter consegue seu primeiro emprego e a cada dia mais deixa de ser uma menina extraordinária, linda, inteligente, crítica e de personalidade, para se tornar uma mulher extraordinária, linda, inteligente, crítica e de personalidade (amo-a sem maneiras de dizer o quanto a amo);

. Alex e Regina se casam;

. sela-se a paz definitiva e inesperada entre duas grandes nações belicistas, duas pessoas a quem amo muitíssimo e cuja paz parecia inviável. Sem dúvida, o fato do ano.

. retorno à Grande Japonesa de Automóveis (que é justamente para onde queria voltar) depois de 2 anos na Grande Americana de Automóveis (da qual a única coisa boa que levei foi a amizade com a brilhante e talentosa Gisele, a única luz em meio à escuridão daquele lodaçal de boçalidade);

. conseguir trabalhar na empresa em que se quer trabalhar e isso ocorrer quase por acaso é algo incrível. Melhor ainda quando se ganha uma promoção em apenas 4 meses, justamente para o departamento com mais alto nível de pontuação no sistema TSM;

. Fernanda e eu seguimos juntos e o amor que dedico a ela não se derrama nunca em vão, pois a amo diariamente e sei do privilégio que desfruto de estar com uma mulher sem igual, de maturidade e segurança ímpar e de uma beleza que me seduz a cada olhar, a cada gesto e a cada vez que a dispo inundado de desejo e tentação;

Só isso já bastaria para fazer de 2009 um ano incrível. Mas tem mais. Tem a corrida.

A corrida mudou minha vida, salvou meu relacionamento, me tornou uma pessoa melhor (ou um pouco menos pior) e me fez 16 kg mais magro.

(Sim!!!! Perdi 16 kg em 8 meses, sem academia, sem personal fucking shit trainer, sem frescura de dieta da lua, do sol, de marte ou da puta que pariu, sem remédio, sem nada. 16 kg perdidos ao longo dos mais de 1.132 km percorridos em treinos e competições, sabendo o custo de cada grama de gordura queimada, superando a preguiça, o sedentarismo e alcançando resultados única e exclusivamente por meu esforço, contando cada gota de suor e sabendo o duro que dei pra isso. E se eu, um imbecil miserável e fodido de grana pôde, você também pode. Então MEXA-SE, PORRA!!!! Porque o tempo não torna ninguém mais jovem.)

A corrida livrou-me também de problemas gástricos que me levaram certa vez a quase sufocar no meio noite, me livrou de problemas lombares e cervicais que há anos me atormentavam, deu-me mais energia, mudou minha maneira de ver a vida (qualquer dia prego aqui o conceito de "sair da zona de conforto", tão importante e eficaz na corrida quanto na vida) e me fez descobrir um admirável mundo novo de sensações, prazeres, sentimento de vitória, conquista, mérito e superação.

Sim, a corrida mudou minha vida e a ela devo mais do que as 4 medalhas de participação nas provas em que corri este ano.

Assim, 2009 encerra-se como um ano incrível e inesquecível. Sei que não foi assim para todos, pois nunca é. E espero que o próximo seja para você, leitor, tão incrível como este que acaba foi para mim.

Um grande 2010 a todos!

27 de dezembro de 2009

Watchmen

Em se tratando do mundo das HQs, em especial das Grafic Novels, existe um certo consenso universal entre os fãs, que colocam a Grafic Novel Watchmen como a melhor de todos os tempos, a história definitiva de Super-Heróis.

Publicada em 1987, escrita por Alan Moore, Watchmen alcançou imediatamente o status de clássico absoluto ao retratar com tons e análises realistas como seria o mundo se existissem heróis fantasiados e com super-poderes. Sua história aborda questões éticas e morais, expondo naturezas humanas por trás dos heróis mascarados, tais como psicoses, sociopatias, misoginias; e indo até mesmo em questões como a geopolítica mundial, modificada pela interferência desses heróis. Como se pode ver, não é uma história fácil, agravada pelo número grande personagens e pelo paralelo entre presente e passados, com três linhas narrativas de tempo, mais uma quarta: uma ficção dentro da ficção, numa irônica metalinguagem.

Por tudo isso, ver tal obra transposta para o cinema era o sonho de todo fã e o desafio de qualquer realizador. O resultado, comandado pelo diretor Zack Snyder, pude conferir ontem e a conclusão a que cheguei é que Watchmen é uma história em quadrinhos absolutamente inadaptável para o cinema.

O filme de Snyder não decepciona. Acho até que se esforça bastante por ser fiel à obra original. Consegue, em boa parte de sua longa duração (um total de 175 minutos), preservar o espírito da história original, bem como a relação entre os diversos personagens. Não se furta às mudanças de tempos narrativos e o faz sem os clichês facilitadores de leitura (como mudanças de iluminação e cores em cada tempo narrativo), mantendo assim o realismo esperado da obra. É um filme correto, aplicado, mas que passa muito longe do original em termos de profundidade e desenvolvimento de personagens.

Em Wathcmen, o filme, todos os personagens, com exceção do Dr. Manhatan (um ser tão poderoso que beira a onisciência e a onipresença), me pareceram superficiais, ainda que demonstrem claramente suas próprias questões enquanto heróis ou ex-heróis em um mundo que ruma para o Armagedom. A sociopatia paranóica de Rorschach, a difícil relação entre Espectra II e sua mãe ( também uma ex-heroína), a personalidade fraca e insegurança do Coruja II, a megalomania de Ozymandias, o distanciamento da humanidade do Dr. Manhatan, a psicopatia aguda do Comediante. Tudo está lá, bem montado e exposto. Porém, ainda assim, tudo isso me pareceu muito menos do que poderia ser, muito menor que o original. Mas esse fato não é uma condenação ao filme. É só uma constatação.

Não vejo a superficialidade do filme como falha ou defeito passível de correção, mas sim como um sintoma de intransponibilidade, de barreira entre linguagens, através da qual é quase impossível transpor todas as nuances da história baseada na linguagem dos quadrinhos para a linguagem do cinema. Mais do que em qualquer outra adaptação que eu já tenha visto no cinema - seja ela vinda da literatura, do teatro ou das HQs -, em Watchmen a dimensão da expressão "Lost in Translation" (o que se perde na tradução) atingiu um patamar muito alto. E dessa vez não necessariamente por incompetência de quem conduziu o projeto, mas pela natureza intrínseca das duas linguagens e da multiplicidade arquetípica e representativa da obra adaptada.

Mas nem tudo se perde. No filme, o diretor Zack Snyder (que é fã de HQs e já adaptou com sucesso outra obra de Alan Moore, Os 300 de Esparta) consegue preservar a essência da obra original e isso já é muito em se tratando de uma adaptação de um clássico absoluto e inquestionável. As cenas de ação são excelentes e se utiliza nelas recursos visuais que remetem aos quadrinhos, como breve congelamentos durante a ação; os atores, em sua maioria, se saem bem na composição de personagens tão improváveis quanto complexos. O filme também acerta em uma trilha sonora que não é óbvia e que pontua os momentos certos, sem se tornar excessiva.

Mas é inegável que para quem nunca leu a Grafic Novel a experiência do filme pode ser um tanto quanto confusa e bastante estranha. Adentrar no universo de Watchmen, de suas muitas referências e de sua mensagem político-apocalíptica pode ser muito difícil. Melhor seria ler antes o clássico de Alan Moore, mas a verdade é que depois de ler tamanha obra genial, ver o filme pode parecer quase desnecessário. Não chega a tanto, mas uma vez que o filme em nada acrescenta ao original (e isso não é necessariamente ruim), acaba valendo mais como uma experiência visual, que se vê apenas para conferir. Não que seja um mal filme, é apenas um filme limitado pela natural impossibilidade de transposição de linguagens. Menor, muito menor, que o original, mas ainda válido como cinema e como adaptação.
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Trailer


22 de dezembro de 2009

Homem de Sorte

Sérigo Xavier Filho é atualmente editor da revista Placar e da Runner’s World no Brasil. Corredor, maratonista, corre nos 4:30 min./Km (enquanto estou numa briga feia comigo mesmo para atingir meus sonhados sub-5:30min./Km). Mantém um blog no site da Runner’s Brasil onde fala de corridas, experiências e assuntos afins. Cara bacana. Em seu mais recente post, fala como foi seu último final de semana com um de seus filhos, em uma aventura de 50km de pedalada.

Trecho:

Essa molecada não será a mesma depois dos 50 km até Cubatão. (...) Eles viraram homens no sábado. Em um dia, fequentaram o mundo adulto (se vi uns cinco garotos da idade deles foi muito) e experimentaram todas as sensações da vida. Medo, prazer, cansaço, superação, companheirismo, fome, sede, dor, felicidade. Ficaram orgulhosos, sabem que fizeram mais do que realmente podiam.” Para ler na íntegra, clique aqui.

20 de dezembro de 2009

Coluna

Já está no ar minha coluna de cinema do Guia da Semana. Nesta semana falo sobre dois filmes que marcaram meus natais, no tempo em que eu gostava de natal. Para ler, clique aqui.

13 de dezembro de 2009

Em Busca

Ainda estou longe de conseguir fazer tudo isso, mas sigo tentando.

"O bom crítico promove discussões, debates, oferece chaves de leitura para a compreensão de um filme, relaciona uma obra ao contexto no qual está inserida, traça paralelos entre diferentes produções, relativiza historicamente a importância de filmes e diretores, identifica marcas de autoria, temas ou recursos estéticos recorrentes na filmografia de um cineasta, além de ressaltar mudanças em sua obra."

Cyntia Calhado, em texto publicado no Guia da Semana sobre o filme Crítico. Para ler, clique aqui.
Irritações de Final dos Tempos

E lá me vêm os jornais, as revistas, os sites com suas listas de final de ano, seu melhores. Pior, agora me vêm com suas listas de melhores da década. Acho tudo isso um saco e mais ainda um saco se me pedem para lembrar do melhor que fiz, vi ou vivi nos últimos 10 anos. Quem disse que minha memória distingue com precisão o que é de do final dos anos 90 e início dos anos 2000? Acho tudo um porre.

Mas o pior é esse senso comum do que a década (ou o século, no caso de dez, nove anos atrás) começa no ano 0 e não no ano 1. Quem disse? Na escola, isso lembro muito bem, aprendi que se contam séculos e décadas à partir do ano 1. Ninguém, que eu saiba, conta até dez à partir do zero.

Mas, sério que sou com minhas opiniões, fui pesquisar essa onça e descobri que há polêmica quanto a isso. Mas em última análise descobri que a lógica e o bom senso estão comigo, como é natural e esperado, lógico. Afinal, como sempre digo, nem smpre estou certo, mas nunca estou errado.

De qualquer forma, surgiro que leia este interessante e divertio artigo escrito ainda no século passado. ele esclarece muito bem quem e como iniciou essa bagunça de quando se começa e termina um século ou uma década. Para ler, clique aqui.
Super Size Me



Todo e qualquer documentário é perigoso. Das muitas formas de comunicação existentes, poucas podem se equiparar em poder de persuasão e manipulação como o audiovisual. Uma pessoa que desconheça os princípios da linguagem audiovisual, ou seja, toda pessoa comum que não tenha (e porque teria?) interesse em estudar esta linguagem é facilmente convencida do que quer que seja através de um vídeo, um programa de televisão, um documentário. Por isso, ao ver qualquer tipo de produção “documental”, seja na TV ou no cinema, é preciso estar atento e aprender a separar o fato da manipulação.

Esta introdução não se presta a desqualificar o filme do qual vou falar, mas apenas como uma demonstração de isenção, ou tentativa de tal, na percepção de seu desenvolvimento e na busca de uma distinção entre verdade incontestável, verdade discutível e possível verdade manipulada. Conceitos que valem e se aplicam a qualquer filme do gênero.

Super Size Me, de Morgan Spurlock é um documentário no qual seu diretor se apresenta como cobaia de si mesmo. Na tentativa de alertar o mundo, em especial os americanos, dos perigos da má alimentação, da obesidade e, principalmente, das redes de fast food, ele se propôs passar um mês sob uma rígida dieta integralmente feita de McDonalds.

As regras:

Durante um mês, fazer todas as refeições com comida do Mcdonalds, inclusiva a água tendo de ser comprada lá;

No período, deve provar ao menos uma vez todos os itens do cardápio;

Sempre que lhe for oferecido a opção pelas porções gigantes, deve aceitá-las;

Durante este a experiência não deve praticar atividade física superior a de um americano médio, o que consiste em caminhar no máximo 5.000 passos por dia;

Os resultados são exibidos, dia a dia, em uma abordagem descontraída, ainda que séria. Através de exames de sangue e de depoimentos do próprio Spurlock, vai-se acompanhando os efeitos objetivos e subjetivos que uma dieta como esta pode causar. De depressão à impotência, passando por sintomas de dependência, tudo é mostrado de maneira a não tornar o filme um panfleto pela alimentação saudável, e sim um alerta para a alimentação absolutamente não-saudável. Desta maneira, ao vermos o filme, temos uma experiência que nos chama a atenção para a seriedade da questão, sem no entanto cair no tom grave e panfletário.

E como já era de se esperar, os resultados são alarmantes. Ganho de peso muito rápido, fadiga, redução da libido, dores de cabeça constantes, apatia, um alarmante desequilíbrio nos componentes sanguíneos e o que mais assombrou os médicos: uma transformação drástica em seu fígado, que praticamente se converteu em pura gordura.

É claro que Super Size Me foi planejado e executado para desqualificar a comida vendida nas redes de fast food, com ênfase no McDonalds, a maior e mais poderosa de todas. Não que isso constitua manipulação, pois os fatos nutricionais, a ciência, a nutrologia e o simples bom senso já mostram isso claramente e de forma incontestável. Mas também é evidente que o documentário de Spurlock se propõe a um radicalismo extremo. Radicalismo esse que, por outro lado, não foge tanto à realidade de uma parcela da população norte americana, que chega a fazer mais de 5 refeições semanais em lanchonetes de fast food.

Contudo, é impossível, em alguns momentos, não se assustar com certos números apresentados, bem como com os efeitos nocivos daquela comida. Positivamente, o documentário não deixa de abordar a questão do sedentarismo, da educação e da mídia na responsabilidade pelo desastre de saúde pública que a obesidade e a má alimentação vêm causando na população.

Ainda que ninguém, ou quase ninguém, seja louco o suficiente para fazer todas as suas refeições em redes de fast food, o filme funciona bem como alerta para os perigos desse tipo de alimentação. E ilustra muito bem como as corporações trabalham de forma a nos persuadir - a nós e às nossas crianças - a comer lá. E comer cada vez mais.

No final do filme, ao contrário do que se disse por aí, não fiquei com nojo de ir ao McDonalds, mas certamente fiquei muito mais restritivo quanto à minha freqüência mensal nesse tipo de estabelecimento. Se mais pessoas passarem a pensar duas ou mais vezes antes de se afundarem em toda aquela gordura e açúcar, melhor para a saúde de todos.

Fica então a dica de um filme que serve como alerta (sem o ranço do didático) e que mostra de maneira descontraída, mas sem perder a seriedade, o mal a que estamos todos sujeitos e sobre o qual quase nunca paramos para pensar, assim como quase nunca pensamos em recusar.

6 de dezembro de 2009

Minha Implicância

Ainda implico com esse negócio bobo de twitter. E continuo buscando apoio.

Editado do blog do Marcelo Rubens Paiva:

"Como eu, que não acha a menor graça no Twitter, e posto eventualmente, procurando ainda um sentido.

Tenho quase 3 mil seguidores, e não sei o que fazer com eles. Como se esperassem entediados o sermão de um profeta sem inspiração e fé, no alto da montanha, também entediado, sem assunto. É preciso acreditar no veículo e no que se diz. (...) Como não acredito, meus seguidores... estão livres para seguir seu próprio caminho. Amém.

Cometerei um twittercídio em breve. Como já cometi um orkuticídio há anos, temi pelas consequências e, surpresa, não mudou nada na minha vida.

Às vezes, é preciso ter coragem de negar os rumos da tecnologia da informação, selecionar o que realmente interessa e não entrar na histeria das novidades.


Como diz o ditado, a informática muitas vezes resolve problemas que antes nem existiam.
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