A Atriz e o Diretor
Abaixo, trecho de uma declaração de amor de um diretor para sua atriz. De François Truffaut, publicado no L’Express em 3 de março de 1975:
“Não conheço Isabelle Adjani.
Ela é a única a atriz que me fez chorar diante de uma tela de televisão e, por causa disso, quis logo filmar com ela, com toda a urgência, pois achava que podia, ao filmá-la, roubar-lhe coisas preciosas como, por exemplo, tudo que se passa num corpo e num rosto em plena transformação. (...)
Não conheço Isabelle Adjani.
Enquanto estamos filmando, vejo-a trabalhar, ajudo-a como posso, digo-lhe trinta palavras quando ela queria cem ou cinqüenta, quando bastava apenas uma, mas a certa, pois tudo é questão de vocabulário em nossa bizarra relação.
Não conheço Isabelle Adjani, porém, à noite, meus olhos e ouvidos estão cansados de tanto a ter observado e escutado durante o dia.
Vou conhecer Isabelle Adjani daqui a algumas semanas, quando nos despedirmos, isto é, quando as filmagens terminarem. Ela partirá para o seu lado, não sei para onde, e todos os dias eu a verei na mesa de montagem, em todos os sentidos e todas as velocidades. Então nada mais me escapará, e a compreenderei com grande atraso: “Eis o que era preciso fazer, eis o que era preciso dizer, eis o que era preciso filmar”, e graças a essa insatisfação renovada, graças a essa frustração maior, ficarei impaciente para começar um novo filme.
Às vezes digo a Isabelle Adjani: “Nossa vida é um muro, cada filme é uma pedra.” Ela me dá sempre a mesma resposta: “Não é verdade, cada filme é um mudo.” ”
Postado por Rogério de Moraes às 21:13 - Link para este post
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